Category Archives: Shows

O sagaz homem fumaça

“Na cadeia, pra te falar a real, a gente dava é risada.” Com essa frase o rapper Marcelo D2 colocou abaixo aquilo que a  imaginava ser a causa de sua pior noite: a prisão. Normal imaginar isso, mas talvez não para o Planet Hemp em 1997. Foi nesse ano que a banda foi parar atrás das grades após um show em Brasília, acusada de fazer apologia às drogas. Foram oito dias presos a espera de que algum habeas corpus pudesse livrá-los. “Ano passado fez dez anos de prisão. Caralho, devia ter feito uma festa, né? Uma festa de dez anos da prisão do Planet Hemp”, lembrou D2 às gargalhadas.

E realmente não faltam motivos para o rapper não classificar as noites de cadeia como as piores de sua vida. Alguns meses depois de ser solto ele perdeu seu principal parceiro: o pai. “Na cadeia tinha jeito, sabe qual é? Com o coroa não”, disse. “Foi aquela noite que eu pensava: agora fodeu. Não conseguia pregar o olho, acho que fiquei três dias acordado.”
E mais, para tornar ainda menos traumática a passagem pela cadeia, a repercussão do episódio fez os cofres da banda ficar ao melhor estilo Tio Patinhas. “Quando eu saí tomei um susto, comprei uma casa logo na seqüência. Se tu passa oito dias na cadeia e compra uma casa é um puta negócio”, ria D2.

Mas e as suas melhores noites, Marcelo? “Geralmente a melhor noite tem sexo no meio. Não vou falar, senão isso vai dar merda pra mim.” Compreensível.

Anúncios

Deixe um comentário

Filed under Boemia, Carioca, Entrevistas, Legalize, Maconha, Malandragem, Planet Hemp, Revista Trip, Rio de Janeiro, Shows

“Em samba de roda já dei muito nó…Em roda de samba sou considerado”

Tu se consideras o pioneiro do hip hop brasileiro?

Eu sou de uma segunda geração.
A primeira geração que é Racionais Mc’s, Thaide Dj Hum, um dos primeiros a abordar o tema crítico-social com a música “Homens da Lei” que falava da violência social em São Paulo, Osasco e no ABC paulista. No final de década de 80, os Rappers começaram a produzir letras conscientes, versando sobre o racismo, pobreza e injustiças.
A segunda geração é composta por mim, Gabriel O Pensador, Mv Bill, tem até uma terceira geração. A minha época foi bastante influenciada por artistas de outros estilos como, Jorge Ben, Tim Maia, Gerson King Kong, James Brown, além da forte influência do samba que está presente no meu trabalho.
O caminho do rap é esse, regionalizar para tornar universal.

Qual disco da tua carreira solo que tu mais gosta?

Os meus álbuns são como um filho pra mim, não tem como gostar mais de um ou de outro, eles contam muito do meu momento, do que eu to vivendo.
São oito discos, três de platina e cinco de ouro. Os quatro discos, Eu Tiro É Onda, À Procura da Batida Perfeita, Meu Samba É Assim e a Arte do Barulho contam muito bem a história de misturar hip hop com samba. Ainda tem muita coisa para se fazer em cima disso, mas o caminho já ta trilhado.

Tu resgata muito samba antigo que a maioria da galera que escuta as tuas músicas não tem muito conhecimento. João Donato, João Nogueira, Bezerra da Silva…

Depois de Tom Jobim, o João Donato é um dos maiores pianistas de Bossa Nova que tem no Brasil.
Em 1998, quando eu fiz meu primeiro disco solo, Eu Tiro é Onda, resolvi chamar alguns músicos antigos pra participar. Chamei o Dom um Romão, um instrumentistas que tocou com Frank Sinatra, Elis Regina, um dos inventores da batida da Bossa Nova, outros percursionistas participaram também, aí resolvi convidar o João Donato e me surpreendeu muito, porque a maioria dos músicos antigos são mais fechados e ele não, aceitou na hora, gravou duas músicas, contou histórias da época que ele tocou com a Elis Regina.
Foi um dia incrível, ele tocando piano e contando histórias.
É muito bom trazer para a nova geração a velha guarda musical, senão os Arquitetos da Música Brasileira vão ficar perdidos lá atrás, ninguém mais vai ouvir falar de João Nogueira, que é um dos maiores sambistas pra mim, um dos meus preferidos.
Um momento da minha carreira que me deixou muito orgulhoso foi quando eu estava no Aeroporto esperando um vôo e veio um garotinho de 10 anos, eu pensei que ele fosse falar da música que eu cantei com o meu filho, ele virou pra mim e falou:
“Eu nunca tinha ouvido João Nogueira, eu e meu pai adoramos.” Muito legal isso, um garotinho de 10 anos ouvindo João Nogueira porque eu citei.

Como é para ti tocar para públicos diferentes?

Eu adoro tocar em festivais, porque tem bastante gente, sem contar que tem um monte de bandas, de vários estilos.
Mas, também gosto de tocar pra uma galera mais engajada, pra público pequeno e tal.

O que muda nos shows quando vai tocar em um festival para uma galera mais nova?

Em festival eu toco as mais conhecidas, é um show menor também. Se o público realmente quer ouvir músicas do meu disco solo, do Planet Hemp, tem que ir num show meu. Porque festival a gente faz um set começando com “Vai Vendo”, “Qual é”, só as músicas que tocaram mais.

Você acha que existe uma relação da moda com a música, um influência o outro?

A moda influência muito a música, você identifica um músico pela roupa que ele veste. O Rock, por exemplo, mexeu com a moda no mundo. Nos anos 80 vários músicos adotaram um estilo extravagante.
Moda é a maneira que tu te mostra para o mundo, fazer moda é fazer arte.

Tu se sente um produto? Rola uma crisezinha?

Pra caralho, mas não tenho crise não. Eu sei usar o marketing ao meu favor pra fazer as coisas que eu gosto. É engraçado que as bandas que fazem música de cunho social na minha geração (década de 90), são as bandas que sobreviveram, Nação Zumbi, O Rappa, Mundo Livre, a gente… Acho que eu já fui mais o “Pesadelo do Pop”.


Deixe um comentário

Filed under Arte do Barulho, Carioca, Entrevistas, Hip Hop, Malandragem, Moda, Planet Hemp, Samba, Shows, Style

“Ele vem do samba, seu tempero é brasileiro”

 Além de ser quase filho do Bezerra da Silva com quem gravou a música Erva Proibida. 
 D2 é também filho bastardo de João Nogueira, sempre se reinventando e cada vez mais próximo das rodas de samba.
 Marcelo tem caído no samba com o filho de João Nogueira. 

 Dois importantes nomes da malandragem carioca, Diogo Nogueira e Marcelo D2 iram dividir o palco do CitiBank Hall/Rj, dia 27 de Março, no show “Movimento Carioca”.
 “Do jeito que o Rei mandou” vai dar samba..

Deixe um comentário

Filed under Bezerra da Silva, Carioca, Malandragem, Samba, Shows

Lisergia Sonora

A palavra que se encaixa  na atual fase de Marcelo D2 é COMPETÊNCIA. Aliás, fase que ja dura um bom tempo. Letras bem trabalhadas, que incluem uma boa dose de malandragem, crítica  e sua própria vivência pelo mundo, algo que vai muito além Cannabis Sativa.
Através da mistura do samba no seu hip hop, Marcelo sintetizou-se como um arquiteto da musica brasileira, parafrasenado o próprio para se referir a Grandes Artistas, como Bezerra da Silva, Chico Science, Africa Bambaataa…
Basta ir a um show do Marcelo D2 e sua banda, sentir os beats do Dj Nuts e perceber que Marcelo já está arquitetado na música mundial.
D2 mostra que ainda tem fôlego, fôlego que alucina a todos na plateia, que responde a cada batida vinda do palco.
Sempre mostrando devoção a Bezerra da Silva, Chico Science e tantos outros, sem pedir para ser rotulado, apenas misturando, misturando no sapatinho. Atração a parte também é Fernandinho Beat Box que, acredite, faz tudo só com a boca.
D2 sempre surpreendendo e alucinando os shows com sua lisergia sonora à procura da batida..(já encontrada).

Deixe um comentário

Filed under Bezerra da Silva, Carioca, Chico Science, Maconha, Malandragem, Samba, Shows

“Nosso tempo é hoje..a hora é agora! Vamos fazer Barulho!”


D2 mostra a Arte do Barulho hoje à noite no Bar Opinião em Porto Alegre.

Marcelo faz sua convocação clássica: Vaaaaamos fazer barulho!
No entanto, tal barulho não pode ficar apenas nos gritos da platéia ou da torcida do Maraca.
É preciso que o barulho seja em prol do manifesto.
“É preciso escrever nossa própria história..fazer algo de verdade que venha do coração. Não há beleza senão na luta..
Nosso tempo é hoje…a hora é agora.
Então..Vaaaaamos fazer Barulho!”

Deixe um comentário

Filed under Arte do Barulho, Hip Hop, Porto Alegre, Samba, Shows

“Samba tipo Sabotage e Rap tipo Simonal”

 

D2 no Baile do Simonal em SP

“Como diria aquele velho filósofo do Andaraí, Vamos fazer barulho, porra!”, gritou. Foi o aviso para Marcelo D2 entrar no palco e cantar Nem Vem que Não Tem, com Max na guitarra.
Ele ainda fez questão de mandar os parabéns para o filho Luca, de 8 anos, que assistia ao show com a família e ganhou um Parabéns pra Você da banda e do público. No final do show, cantou Qual É?

Deixe um comentário

Filed under Shows

Rio Tavares Mother Fucker

No começo de 2009, Marcelo D2 passou uma semana em Floripa com o filho Stephan  e de despedida fez uma festa de aquecimento para o Planeta Atlântida na pousada Hi Adventure.

 Ch-ch-check it out

                         

                                        Caio, Ian, Nuggets, Eu, Marcelo, Ronny

Deixe um comentário

Filed under Hip Hop, RTMF, Samba, Shows